sábado, 19 de setembro de 2009
Crónica do Baco 2
Estou aqui vai para 2 anos e um mês. A solidão tem sido relativa. O meu irmão passou duas vezes por Estremoz (nas férias e nas festas populares). A minha irmã não quer ouvir falar de mim. Pudera as partilhas dão sempre nisto. Continuo a falar ao telefone uma vez por semana com os meus pais (a minha mãe até me enviou um sms com um trocadilho inspirado) e reencontrei o LM por acaso. Mas não fiz amigos na cidade e nenhum dos locais me reconheceu, o que me faz pensar que, de algum modo, respeitei a condição que me impus. Bebo demais como a maioria dos governantes do burgo. Como chego a conclusões por instinto e quando menos espero, usando o depois o encadeamento lógico de frente para trás, não tenho propriamente meditado. Como o misticismo e a espiritualidade me aborrecem de morte, não consigo mergulhar a sério no sobrenatural. Como o dinheiro da herança me permite levar esta vida regrada até 2025 (fiz as contas no Excel e inclui a inflação), não me posso armar em Luiz Pacheco e passar metade do tempo a contar os tostões e a inventar esquemas de sacar mais uns. Sobra pois muito pouco para fazer aqui, porque também uma existência exclusivamente onanista não me basta e tenho algumas manias que são empecilhos ao prazer.
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Crónica do Baco 1
É fácil sair de Lisboa, mas não fazer com que Lisboa saia de nós. Bem sei que esta fórmula tem sido usada ad nauseam, mas pretendo aqui testar uma reiteração. Recomecemos por um blog: Notícias do Baco... que nome mais escabroso! Quando vimos para a província levamos connosco ainda uma Lisboa, mais interna, da qual de novo se pode sair, apenas para descobrir e aceitar que persiste uma Lisboa, cada vez mais nuclear, de onde sempre se escapa e de onde nunca se pode fugir. Causa última desta primeira reflexão: amo Lisboa. Causa próxima: recebi em Estremoz o meu primeiro correio e era uma citação da Direcção Geral de Impostos para pagar o IMI em atraso.
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