Variei totalmente no destino de férias. Um quarto só para mim à beira da barragem é um deleite inconfundível, mas estou triste e frustado. Não consigo boiar na barragem. Dizem que é da falta de salinidade, mas eu sei que é por ter a consciência pesada. Aliás, faz sentido explorar a tese de que a culpa judaico-cristã é indissociável da proximidade do Mar Morto. No Mar Morto a salinidade é tão elevada que o difícil é não flutuar, mas alguém deve ter sido o primeiro a ir ao fundo. Daí nasceu a noção de peso na consciência e um teste inequívoco.
Entretanto a minha empregada, tem uma nova e espinhosa missão. Visita-me todos os dias, aqui nas margens da barragem, e entrego-lhe umas notas que ele depois publica no blogue quando chega a Estremoz (dei-lhe as chaves de casa e a senha do Baco). Ainda pensei em transmitir os meus posts por telefone, mas o nível de literacia da mulher iria semear o Baco com ortografia liceal e testar os limites da paciência dos leitores. Traz-me também jornais, que leio antes da hora do almoço e que depois uso para atiçar a fogueira em que cozinho o jantar. Hoje será um achigã escalado. Conto escrever sobre o firmamento nos próximos dias, assim que o céu fique completamente limpo. Disse também ao moço filho de Tatiana para trazer a prancha amanhã. Quero fotografar os surfistas na barragem.
sábado, 28 de agosto de 2010
domingo, 15 de agosto de 2010
Crónica do Baco 35
David Foster Wallace dizia que um dos seus defeitos como escritor era não conseguir resistir a uma piada. Esta tentação, sobretudo na ausência de reedeming features, pode transformar uma terreola como Estremoz numa má comédia, quando gostaria de calibrar o texto como tragicomédia ou até mesmo como uma tragicomédia rematada de uma forma esclarecedoramente trágica. A fixação de alguns cidadãos estremocenses nos petiscos de quinta feira a pretexto duma reunião politica é um filão histriónico, tenho perfeita noção disso, e sinto-também.
A entrada de Francisco nesta história também a vem perturbar pelo excesso de realismo. Há dois anos, praticamente que não tinha pátria, nem nomes de ruas e os diálogos eram imaginados como se ditos em Esperanto. Nos últimos dias, procuro, através de Hermínia, cada vez mais a minha confidente, saber promenores das quintas feiras do petisco e agendei já umas conversas com o inventor, do tipo "em que o moço de recados vai fingir-se interessado na compra de umas casas," e depois tiramos umas fotografias aos pormenores.
Hermínia voltou a falar-me do antigo funcionário municipal que agora reformado, tira de vez em quando o fato puído a cheirar a naftalina e passeia-se com ar importante por aí, mas eu não sei quem é e abrimos caminho com uma corda bamba, mas o importante é que finalmente caminhamos. E é curioso reparar que as personagens se levantam todas mais ou menos ao mesmo tempo, como mortos-vivos que despertam e passeiam-se por aí....
Ás quartas assistem á reunião e á quinta embebedam-se.... Bela vida!
A entrada de Francisco nesta história também a vem perturbar pelo excesso de realismo. Há dois anos, praticamente que não tinha pátria, nem nomes de ruas e os diálogos eram imaginados como se ditos em Esperanto. Nos últimos dias, procuro, através de Hermínia, cada vez mais a minha confidente, saber promenores das quintas feiras do petisco e agendei já umas conversas com o inventor, do tipo "em que o moço de recados vai fingir-se interessado na compra de umas casas," e depois tiramos umas fotografias aos pormenores.
Hermínia voltou a falar-me do antigo funcionário municipal que agora reformado, tira de vez em quando o fato puído a cheirar a naftalina e passeia-se com ar importante por aí, mas eu não sei quem é e abrimos caminho com uma corda bamba, mas o importante é que finalmente caminhamos. E é curioso reparar que as personagens se levantam todas mais ou menos ao mesmo tempo, como mortos-vivos que despertam e passeiam-se por aí....
Ás quartas assistem á reunião e á quinta embebedam-se.... Bela vida!
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