quarta-feira, 23 de junho de 2010

Crónica do Baco 33

A paixão segura por uma mulher acontece quando ela já dobrou a menopausa. Chego a esta conclusão em relativo alvoroço, depois de ver a barriga de Tatiana. Odeio futebol. Não sei se consigo encontrar alguma ligação entre o número de vezes que tenho procurado Tatiana e a carrada de minutos que a televisão emite futebol índigena.

Tatiana adora futebol. Não que perceba alguma coisa do jogo, mas porque sabe que o meu exercício de solidão, termina cada vez que rola a bola. Sou um eremita em Estremoz. Soube hoje pelo inventor que abundam as histórias de homens casados que largam as mulheres para se juntar as mulheres casadas que laragarm os homens. Não vejo qualquer problema nem a idade delas ou dels pode ser problema porque só exclui as mulheres da sua vida quem não as suporta ou quem as teme. O derradeiro teste à urbanidade de um homem é a gravidez de uma antiga namorada de quem ficou amigo ou saber que a gaja que lhe engoma as camisas também prega uns botões na camisa do vizinho. Quanto mais antigo é a relação e maior a amizade, mais duro é o teste. Mas estas hipóteses não são mutuamente exclusivas. Aliás, fazer regra do casamento exclusivo é provavelmente a maior concessão dos casais com estilo. As consequências deste capricho são incomensuráveis, mas sempre graves. Eles batem-lhe e elas riem-se. Ás vezes, chiça, quase sempre, porra, sempre, sempre com razão. Elas gozam os gajos que gostam de tutebol.
Eu acho que um macho que queira bater na fêmea "a sério", ou vice versa, tem de incluir uma enxada ou uma picareta. Nada de armas de fogo (isso é para cobardes). É preciso sentir no antebraço a vibração de um crânio ou de um tórax que cede à lâmina de uma enxada acelerada num movimento de braços. Não se tem a mesma sensação com o coice da caçadeira.

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