David Foster Wallace dizia que um dos seus defeitos como escritor era não conseguir resistir a uma piada. Esta tentação, sobretudo na ausência de reedeming features, pode transformar uma terreola como Estremoz numa má comédia, quando gostaria de calibrar o texto como tragicomédia ou até mesmo como uma tragicomédia rematada de uma forma esclarecedoramente trágica. A fixação de alguns cidadãos estremocenses nos petiscos de quinta feira a pretexto duma reunião politica é um filão histriónico, tenho perfeita noção disso, e sinto-também.
A entrada de Francisco nesta história também a vem perturbar pelo excesso de realismo. Há dois anos, praticamente que não tinha pátria, nem nomes de ruas e os diálogos eram imaginados como se ditos em Esperanto. Nos últimos dias, procuro, através de Hermínia, cada vez mais a minha confidente, saber promenores das quintas feiras do petisco e agendei já umas conversas com o inventor, do tipo "em que o moço de recados vai fingir-se interessado na compra de umas casas," e depois tiramos umas fotografias aos pormenores.
Hermínia voltou a falar-me do antigo funcionário municipal que agora reformado, tira de vez em quando o fato puído a cheirar a naftalina e passeia-se com ar importante por aí, mas eu não sei quem é e abrimos caminho com uma corda bamba, mas o importante é que finalmente caminhamos. E é curioso reparar que as personagens se levantam todas mais ou menos ao mesmo tempo, como mortos-vivos que despertam e passeiam-se por aí....
Ás quartas assistem á reunião e á quinta embebedam-se.... Bela vida!
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário