Sonhei que urinava contra uma parede, vestido de luzes, e que alguém se aproximava de mim para conviver urinando. Entabulámos uma conversa demasiado longa para o volume das nossas bexigas, mas a urina parecia vir directamente do reservatório de água de Borba, pois não havia forma de acabar. Se fosse do reservatório de Estremoz, nem chegávamos a mijar....
A dada altura faltou-nos assunto, o gajo que estava a urinar começou a desenhar os círculos dos Jogos Olímpicos no chão de terra e eu, que topara a ideia ainda ele não havia acabado o segundo circulo dos de cima, comecei logo a fazer os dois da parte inferior. Quando ele concluía o seu terceiro e eu o meu segundo, a nossa urina cruzou-se pela primeira vez. Foi apenas um instante e a trajectória da urina de um e outro quase não sofreu desvio, só que eu senti uma impressão - coisa psicossomática - e o piqueno também ficou perturbado. Logo a urina de ambos deixou de jorrar e nos despedimos atabalhoadamente, indo cada um para seu lado. O símbolo dos Jogos Olímpicos ficou incompleto e o rafeiro da protecção civil que depois passou por lá apenas esgravatou um dos círculos. Não arrisco uma interpretação deste sonho...
Acordei. A manhã está a ser fértil em versos avulsos para Tatiana e Herminia. Tomei algumas notas de guitarra sobre a perna, numa lógica de preenchimento futuro dos espaços em branco, que se aproxima muito da minha anterior forma de viver. Entretanto corrigi alguns plurais, para evitar uma rima e diminuir as chiantes suaves, um som que é inimigo das melodias. Sinto que esta canção entrou finalmente numa dinâmica de vitória. Foram precisos meses, mas o binómio talento-suor não capta o que aqui se passou. O que houve foi paciência. Aprendi uma lição. Em Estremoz quando dormimos o melhor é fingir que estamos a sonhar. Foda-se!
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