terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Crónica do Baco 6
Os meus pais sabem que vim para Estremoz mas desconhecem onde conto passar o Verão e que me despedi do emprego. Os meus colegas sabem que me despedi e nada mais. A alguns amigos disse para onde vinha, sem acrescentar que me despedi. Não menti, nem sequer por omissão, a verdade ficou foi fragmentada. Sobra o meu irmão, omnisciente, não vá eu precisar de uma testemunha que me convença desta opção de vida. Mas sei que ele só cometeria uma inconfidência em caso de risco de morte e não é por se vir morar uns meses aqui que um tipo se sente devedor das estatísticas do suicídio no Alentejo. Sobretudo porque o restaurante O Águias d’Ouro, que apenas recordava como um antro pejado de taxidermia, serve hoje um gaspacho competente e também porque não há pathos, spleen, gravitas, remorso ou frustração capaz de me deixar indiferente ao par de mamas das tias que teimosamente se sentam na esplanada, a uns metros de distância, fumando cigarros de carteiras vazias. Anunciam as festas da Cidade. Festas? Outra promessa de futuro dos “irmãozinhos”!
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário