terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Crónica do Baco 9
Leitura do jornal no café do quartel dos bombeiros, depois de almoçar um litro de gaspacho. Um rapaz de 19 anos matou a namorada à facada e eu continuo a pasmar. O crime passional, como um cúmulo de egoísmo e estupidez, não deve gozar de tolerância social e eventualmente até jurídica. Num mundo imperfeito e justo, matar a mulher seria mais grave do que matar a namorada, que seria mais grave do que matar a amiga, que seria mais grave do que matar uma desconhecida. Ora, parece que é ao contrário. Daqui até avisto o edifício vermelho do Mercado. Porra! Suspeito que grande parte do dinheiro que gastámos naquela merda está a apodrecer enquanto as ratazanas passeiam por cima da fruta nas barracas frente à Câmara. Não acho que se possa fazer algo para atenuar a raiva e a frustração, mas talvez se possa atenuar a surpresa. Mas como se explica isto às pessoas, sobretudo num país sem tradição de fortune cookies?
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