domingo, 16 de maio de 2010

Crónica do Baco 28

Apesar da existência frugal dos haveres da querida mamã, a minha conta bancária está a entrar no vermelho depois de 2 semanas instalado em Fátima. Sucede que, para meu espanto e possível salvação não estive em Estremoz nos últimos onde decorreu uma Feira Internacional (como diz a Tatiana). João Paulo II a um piqueno passo é o mesmo que partilhar o ar que Bento XVI respirou em Fátima. Sei bem que a fronteira entre a ficção e a realidade é por vezes ténue, mas eu estou demasiado gordo para fazer strip-teases morais à frente de tanta gente e regressei ao santuário com mais fé do que antigamente. Beijar as mãos do Santo Padre não se concretizou por manifesta megalomania.
No final da missa houve um pequeno incidente: uma das libertinas de Lisboa levantou-se e quis contar-nos a história de um familiar estremocense, que, depois de mudar de vida, terá comido e bebido em excesso e foi transportado ao hospital para ser socorrido, pelo caminho a revolução nos intestinos falou mais alto e borrou-se pelas pernas no carro presidencial. Ninguém da hierarquia papal achou piada ao relato da libertina que mais parecia ter transposto fronteiras à paisana com a ideia fixa de assassinar Manfred Albrecht Freiherr von Richthofen, o Barão Vermelho, para assim vingar o seu pai, que integrou o Corpo Expedicionário Português e terá morrido na batalha de la Lys, a 9 de Abril de 1918.

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