sábado, 6 de novembro de 2010

Crónica do Baco 43

O único surfista vivo de Estremoz vai andar esta noite por Borba, entre a Capela dos Mareantes e a Igreja dos Aflitos, para que eu possa ouvir por telemóvel o concerto gregoriano de Sofia Cascalho (cravo) e Duarte Lamas (guitarra). Tocarão Dodgson e Bach e todos os coros gregorianos do Alentejo. Ainda bem que é a sul do Tejo. Sempre que atravessa a estrada nacional, o puto tem manifestações psicossomáticas e sinto-me obrigado a reforçar-lhe a diária de alka seltzer.
Valha-nos o zeloso funcionário que passeia o filho no Toyota branco, ouvindo Dodgson, Bach, Quim Barreiros e outros autores eruditos.
Até agora passei um péssimo fim-de-semana, mas entretanto percebi o motivo: dei um tremendo trambolhão na passada quinta-feira. O que surpreende não é o trambolhão, mas a vaga lembrança de ter errado a escadaria depois do petisco- só isso me levou a procurar o erro. Se agora me sinto envergonhado, prevalece a sensação de alívio. Obrigado a todos os estremocenses que tiveram a gentileza de me deixar fazer este caminho sozinho. É um privilégio poder dar um trambolhão em público e corrigi-lo depois, sem ter de andar de porta em porta com aquela tinta correctora, com a ânsia de não falhar um único exemplar do jornal. Esta é a grande vantagem da blogosfera sobre a imprensa. Se não fosse o Toyota, tava fodido...

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