sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Crónica do Baco 44

Ninguém melhor do que o medíocre para defender a meritocracia. As figuras públicas da cidade ... foda-se,,,, bom hoje comecei o dia com uma neura súbita e mesmo em pijama acabo de despachar a primeira encomenda. Espreguiço-me. Acerco-me da janela. A vila está tranquila. Há um rafeiro ao fundo da rua. Faz frio. Sinto-me bem. Experimento algo próximo disto quando termino de lavar a loiça, só que hoje foi muito mais forte. É aborrecido concordar com certos indivíduos, mas o trabalho liberta mesmo. O desaparecimento de figuras semipúblicas vem com um acréscimo de melancolia. Por um lado, ao contrário do que sucede com as grandes figuras públicas, não há mobilização e arrebatamento suficientes para se gerar um elogio fúnebre colectivo. Por outro, falta o pudor imposto pela amizade ou os laços familiares que temos com um desconhecido do público. Este meio-termo gera um efeito terrível: as menções são esparsas, tímidas, curtas e pode inclusive haver quem aproveite o sucedido para acertos de contas. Sobra um difuso constrangimento e um demorado calafrio. Não conheço morte púbica mais absolutamente triste do que a das figuras semipública de gajos de bigode enrolado e filhos da mãe expulsos das fileiras, armados em maiorais nas casas de putas .....

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