domingo, 7 de fevereiro de 2010
Crónica do Baco 14
A rotina dos jornais tem um lado divertido. Tal como os místicos andam a sondar o futuro nos sítios errados - as entranhas de animais, os búzios, os horóscopos - , também procuro reparar em que notícia Tânia (a minha gatinha) se alivia. Esta tarde cagou sobre a cara de Vasco Pulido Valente e fiquei com sentimentos contraditórios. A ideia de alguém cagar sobre um colunista era-me impensável até hoje. Vitupérios? Sim. Um esgar de desprezo? Certamente. Mas cagar? Não. Nem sequer limpar-me a uma coluna de Luís Delgado, sendo que há uma diferença vectorial entre cagar sobre o jornal e pegar no jornal para limpar o rabo. O episódio teve pois o louvor de me deixar a pensar sobre questões novas e isso é enriquecedor. Mas veio depois alguma frustração. Ter sido logo o Vasco Pulido Valente, quando havia um Baptista Bastos a três palmos e me é cada vez mais difícil gostar de Baptista Bastos? Isto já para não falar de Vasco Graça Moura, o único cronista que a partir de agora me leva a querer ver Tânia de diarreia e que estava fortuitamente protegido por pequeno recipiente de plástico que já despertou mais o interesse da gata. As medidas a tomar são simples. Primeira: evitar que a última página de O Público se sujeite a estas vergonhas, mesmo que para isso tenha de deixar a penúltima página virada para cima e expor o Miguel Esteves Cardoso. Um capricho antes da segunda medida: acumular editoriais de O Público e atapetar um dia a cozinha só com os de José Manuel Fernandes (Tânia defeca em média 4 vezes a cada 24 horas). Segunda: começar também a usar o Expresso, por um critério de pluralidade, que do jornal também faz parte um vasto leque de cronistas. Não compro aquele semanário há anos mas, se ainda tiver aquele formato spreadsheet, vai-me simplificar a vida. A Hermínia que te tanta merda limpar se estafa, é que não acha graça nenhuma ao ritual, acha um desperdício estuporar os jornais e diz-me: O menino devia gastar os jornais cá da terra.
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