quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Crónica do Baco 15

O Alentejo tem a maior taxa de suicídios do mundo. Parece que há uma certa apetência pelo enforcamento, talvez porque os ramos do sobreiro cresçam quase na horizontal, o que é um convite a lançar uma corda, e porque por aqui se encontrem muitos bancos de cozinha, que facilmente podem ser levados para o campo e tombados pelo próprio, já com a corda ao pescoço. Foda-se um gajo não nasceu para perecer na ponta duma corda. Deve ser por isso que gosto da Laetitia Casta, a modelo francesa detentora da melhor associação nome-métier desde que Futre pendurou as botas, porque ela me entesa à bruta quando aparece absolutamente flawless no anúncio da L'Oreal. Olho para Herminia quando se ajoelha a lavar os meus ladrilhos mas murcho mais rapidamente que um pescoço de frango quando lhe avisto a varizes rôxas. Tatiana deixou de aparecer depois de se ter rapado toda e só me lembro do nela quando vejo a minha gillete. Para quem viveu em França nos anos noventa, havia uma colecção de sex symbols para todos os gostos: Virginie Ledoyen, talhada para a infidelidade e a perversão; Isabelle Hupert, à medida de uma fantasia sofisticada; Julie Gayet (para ser franco, só reparei nela mais tarde),que inspira a vontade de lhe fazer um filho; Élodie Bouchez, à imagem de uma amiga com quem tive um piqueno deslize; Sandrine Kiberlain, que nos usa na cama com o desprezo e a angústia de quem, por o parceiro saber pouca filosofia, sente a coisa como um acto de bestialismo. Sobre todas elas paira Laetitia. Mais inocente, menos sofisticada, nada maternal, sem que despertasse confiança e muito pouco intelectual, o que Laetitia tinha, além da beleza, era uma naturalidade absolutamente desarmante. É esta naturalidade que a condenou já e a condenará para sempre a ser má actriz, mas é por isso que será sempre irresistível. Ela e todas as gajas boas que se despem nas revistas. Tem uma naturalidade e uma confiança no seu corpo superior à de qualquer estrela porno e, ainda assim, imaculada. Dez anos depois, a mulher que "gosta muito de fazer amor" continua igual. Não há cosmética para isto, nem para a vontade que tenho em me masturbar quando a contemplo tão boa e tão longe.

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